top of page

O prazer de estar totalmente perdido nos X-Men de Jonathan Hickman

  • Foto do escritor: Pedro Lacerda
    Pedro Lacerda
  • 15 de ago. de 2019
  • 4 min de leitura


House of X #01

Talvez seja difícil de notar, mas sou ligeiramente fã da DC Comics, com isso a maioria dos quadrinhos que eu leio são da DC. Mas como toda forma de arte, fica mais interessante quando consumimos de várias fontes, por isso eu faço o grande esforço de ler as HQs da Marvel (insira risada aqui, é uma brincadeira, tá gente?). Os últimos meses foram particularmente difíceis, por motivos pessoais e a grande tormenta do TCC, mas agora com tanto tempo livre nada melhor do que me atualizar nos quadrinhos atrasados e acompanhar algumas novidades em tempo real. Por isso, e pelo amor pelos mutantes, resolvi começar a ler os títulos dos X-Men do Jonathan Hickman, House of X com arte de Pepe Larraz e Powers of X com arte de R.B. Silva e Adriano Di Benedetto, e meus amigos, eu não estou entendendo nada e isso é ótimo.


Como a maioria das pessoas no final dos 20 e começo dos 30, meu primeiro contato com os X-Men foi através do desenho dos anos 90, daí aconteceu a feliz coincidência de encontrar revistas com os meus personagens favoritos na banca de jornal. Infelizmente o preço de ser tão fã da DC é que na juventude o contato com a Marvel era mais por desenhos, e ocasional ao máximo nas HQs, o que tornava toda leitura um jogo de ‘’o que será que tá acontecendo aqui?’’. E pelo bem da tradição, dessa vez não foi diferente, depois de um bom tempo sem pegar numa revista dos mutantes, me encontro encarando um Professor Xavier que parece cuspido do universo de Mad Max, com alegorias dignas do carnaval carioca. Porém, a história é interessante, uma boa mudança do jogo de mutantes versus mutantes pelo bem da humanidade, ou da encrenca que os X-Men arrumaram com os Vingadores uns anos atrás.


House of X #02

O Professor Xavier tem um plano, poucas pessoas sabem partes desse plano, menos ainda sabem da sua totalidade. Mas esse plano vai garantir a sobrevivência dos mutantes contra a ameaça constante da insegurança humana quando confrontada com o relógio da evolução. Os momentos em que Xavier e Magneto estão do mesmo lado são prazerosos de ler, a escrita de Hickman captura o dinamismo da diferença entre os dois personagens, sem precisarem estar de lados opostos da mesa. Agora com uma nação, Krakoa, auto suficiente para chamar de sua, os mutantes são uma força que merece muito mais do que reconhecimento, exigem respeito do resto do mundo. Não só por terem um pedaço de terra sentiente, mas por dessa terem produzirem uma planta usada para produzir drogas que curam doenças, aumentam a vida humana em cinco anos entre outros usos. Ou seja, a nação mutante se tornou tão necessária quanto países do Oriente Médio com petróleo, mas com um potencial militar infinitamente maior. E o fato de Krakoa ser acessível somente para mutantes através de portais espalhados pelo mundo não prejudica.


House of X #02

A história está dividida em dois títulos, House of X que conta os acontecimentos do presente, e Powers of X que explora o passado e futuro do dos mutantes. Ao longo de seis edições de cada, Hickman vai nos guiar pelo que motivou as grandes mudanças no modo que Xavier e Magneto agem e as consequências que o futuro guarda. No meio de todos esses acontecimentos está uma velha conhecida dos X-Men, Moira, agora com poderes mutantes. E talvez alguns de vocês considerem um spoiler, mas a segunda edição de House of X revela que Moira é uma mutante com o poder de reencarnação. Ela vive a vida do jeito que escolher, e quando morre reencarna sempre no mesmo corpo, mesma época, com a mesma vida e todos os conhecimentos das vidas prévias. Na primeira encarnação, Moira não sabe que é uma mutante, em algumas ela esconde do mundo, e em outras revela a verdade para Xavier. Com isso, Hickman consegue dar um retcon na cronologia dos X-Men, fazendo com que todas as histórias que vimos nos últimos anos tenham de fato acontecido, motivadas por outras vidas de Moira.


Em Powers of X, vemos que a luta humana contra a ascensão mutante leva a criação de uma das inteligências artificiais mais avançadas do universo, com o propósito de eliminar a raça mutante. A história expande para vários cantos interessantes da ficção científica, como viagem espacial, inteligência artificial, soldados artificiais, programação mental. Assim como House of X lida com o dia a dia dos planos de Xavier, a criação da nação mutante e como o mundo reage a isso. Ambas leituras que valem extremamente a pena se você for fã dos X-Men, ou pelo menos de boas histórias de ficção científica cheias de dilemas morais.


House of X #02

A arte de R.B Silva, com finalização de Benedetto, preenche a ação constante em Powers of X, enquanto Pepe dá um tom de arquivos secretos de espionagem para as memórias das vidas passadas de Moira.


Cor é algo essencial nos quadrinhos ocidentais, mas que não recebe tanto reconhecimento quanto merece. Mas é de extrema importância como as coloração de Marte Gracia encaixa perfeitamente nos traços dos artistas de cada edição. O mundo parece sempre extremamente vivo e em movimento, mesmo em situações de desastre e destruição como na primeira edição de PoX.


House e Powers of X são belas surpresas na nova leva de quadrinhos da Marvel, não é surpresa que Hickman tenha dito que Stargate Universe é uma das suas séries de ficção científica favoritas, assim como a série, as HQs são recheadas de personagens com morais completamente diferente, andando para um mesmo destino. Dá aquela sensação gostosa de querer logo a próxima edição.

Comentários


 Gazeta Bytes © 2024.

bottom of page